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Empresas chinesas ampliam locação de depósitos nos Estados Unidos

Expansão ocorre em meio ao crescimento do comércio eletrônico e incertezas sobre política comercial
Por Redação em 28 de fevereiro de 2025 às 7h04
Empresas chinesas ampliam locação de depósitos nos Estados Unidos
Foto: Reprodução/Pixabay
Foto: Reprodução/Pixabay

Operadores chineses de depósitos estão expandindo sua presença nos Estados Unidos, impulsionados pelo aumento do comércio eletrônico internacional e pelas mudanças nas regras de isenção de impostos para pacotes de baixo custo. Empresas de logística chinesas lideraram a locação de espaços em centros de distribuição no sul da Califórnia e no centro de Nova Jersey em 2024, refletindo o crescimento de plataformas de compras on-line que enviam produtos diretamente da China.

Além do crescimento da demanda, a expansão ocorre diante de possíveis alterações na política comercial dos Estados Unidos. Especialistas do setor afirmam que varejistas chineses estão estruturando redes logísticas no país para mitigar impactos de eventuais mudanças nas tarifas de importação e na isenção de impostos para pacotes de baixo valor.

De acordo com a Prologis, provedores de logística terceirizados e empresas de comércio eletrônico da China responderam por 20% da locação líquida de novos depósitos nos Estados Unidos até o terceiro trimestre de 2024.

No início de fevereiro de 2025, o governo dos Estados Unidos impôs uma tarifa de 10% sobre importações da China e revogou a política de isenção para pacotes avaliados em menos de US$ 800. Posteriormente, a revogação foi revertida, mas a medida gerou impacto no modelo logístico de empresas que enviam produtos diretamente ao consumidor. Como resposta, diversas companhias passaram a armazenar mercadorias em território americano.

Expansão de depósitos e novas estratégias

Empresas como Alibaba e JD.com ampliaram suas estruturas logísticas nos Estados Unidos. A Cainiao, subsidiária de logística do Alibaba, anunciou que acelera esse processo para atender à demanda global por entregas rápidas. A Shein e a Temu também expandiram suas operações, estabelecendo parcerias com empresas de logística terceirizadas para armazenagem e distribuição.

No final de 2024, a Shein abriu depósitos nos Estados Unidos para vendedores locais sem custo, buscando otimizar o atendimento e reduzir prazos de entrega. Operadores como a Accelerated FS, que administra armazéns em Los Angeles e Nova Jersey, planejam expandir sua capacidade na Costa Leste. Segundo a empresa, a demanda por infraestrutura logística segue em crescimento devido ao aumento das compras on-line no país.

Impacto das mudanças regulatórias

Especialistas apontam que o uso de provedores terceirizados pode facilitar a adaptação de varejistas chineses às regras do comércio transfronteiriço. Segundo a Sailer Partners, consultoria de comércio eletrônico sediada na China, a demanda por armazenagem nos Estados Unidos tende a crescer caso a isenção de impostos para pacotes de baixo valor seja retirada de forma definitiva.

Dados da Cushman & Wakefield indicam que empresas asiáticas de logística terceirizada foram responsáveis por aproximadamente 2 milhões de metros quadrados de locação nos Estados Unidos, representando um quarto do total de espaços desse segmento. A empresa destacou que operadores asiáticos aproveitaram condições favoráveis de sublocação e aumento da oferta de imóveis nos últimos dois anos.

O crescimento da fabricação e das importações em outras partes da Ásia também impulsiona a expansão das empresas de logística no mercado americano. A Cushman & Wakefield projeta que a demanda asiática por infraestrutura logística continuará sendo um fator relevante nos próximos três anos, com expectativa de crescimento de 10% no setor em 2025.

A CBRE relatou que diversas empresas anteciparam a importação de produtos da Ásia para evitar novas tarifas, contribuindo para a procura por instalações de armazenagem nos Estados Unidos. Dados da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos indicam que, entre 2018 e 2021, 67,4% dos pacotes enquadrados na política de isenção de impostos eram provenientes da China. Em 2024, a agência processou 1,36 bilhão de pacotes nesse modelo, avaliados em US$ 64,6 bilhões.

O possível cancelamento definitivo da política de isenção pode resultar na exigência de novas informações e taxas para pacotes de baixo valor importados para os Estados Unidos, além da aplicação de tarifas adicionais sobre produtos chineses.


*Com informações do Valor Econômico.

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